quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

A laranja podre da Grande SP

Embora o nome da cidade seja grande e difícil de pronunciar, a cidade não tem nada de grandeza e falar sobre os problemas dela é muito fácil, já que são muitos. Desde que conheci a cidade, isso há 23 anos atrás, posso dizer que pouco mudou, aliás, pouco mudou, mas nada melhorou. Foram colocados alguns semáforos, alguns radares de velocidade nas duas principais avenidas, a praça conseguiu um posto da polícia militar, chegaram algumas lojas grandes, duas de fast-food, e uma passagem subterrânea logo na entrada da cidade que facilita pra vem vai para as cidades vizinhas como Poá e Suzano, que são bem melhores.

A cidade tem 81,8 km2, como está documentado no Wikipédia, e pode-se dizer que boa parte dessa área pertence a um extrator de areia que fica localizado perto da entrada da cidade, ou seja, um local de extração de areia, que não gera empregos para a cidade e extrai dela "riquezas". Quem olha de cima, enxerga uma grande área desértica muito maior que bairros inteiros da cidade. Uma verdadeira Serra Pelada bem próxima de São Paulo e no coração do município.

Se isso não bastasse, a cidade é devastada por prefeitos que não se preocupam com seus eleitores e só se candidatam para enriquecimento próprio, haja vista que cidadãos do povo são eleitos como simples comerciantes e no decorrer de seus mandatos se tornam poderosos e ricos na cidade, como é de conhecimento dos moradores de lá. O único hospital da cidade, pertence ao governo estadual e oferece precariedade de atendimento como qualquer outro, forçando os moradores a procurarem atendimento médico nas cidades vizinhas, assim como há desde agosto de 2012 falta de pagamento aos médicos. As escolas municipais, agora em véspera de eleições nos municípios, tiveram redução de quadro funcional e alguns daqueles funcionários que permaneceram tiveram redução de salários e atrasos de pagamento. E pasmem, os alunos tiveram redução de 2 horas no período de aula porque não havia merenda escolar nas escolas do município.

A cidade de Itaquaquecetuba, cujo nome vem do tupi e era proveniente de sua primeira forma, taquaquicê-tuba,  cujo significado completo é "lugar abundante de taquaras cortantes como facas", poderia ter outro significado agora, como por exemplo "lugar abundante de roubalheiras constantes que faz da cidade que poderia ser um agradável lugar, a pior dentre os municípios que compreendem a Grande SP, sendo a laranja podre do saco. Isso com 452 anos de existência.

Talvez o que falta, seja chamar a atenção para a roubalheira que existe nos cofres públicos, onde um extrator de areia é o cidadão mais poderoso da cidade, onde prefeitos entram como cidadão do povo e ficam ricos, onde o povo sofre os mesmos problemas de outros municípios, mas sem poder ver os benefícios e as melhorias em sua cidade como os moradores de cidades vizinhas, onde as únicas implantações são de radares que visam mais a arrecadação do que a segurança de seus munícipes. Uma cidade que arrecada de ISS os mesmos 5% que São Paulo e não tem investimentos em si mesma, merece um olhar minucioso sobre seus cofres. Mandem as televisões pra lá, já que quanto ao poder público, eles têm "peixes" maiores para se preocuparem e esse mal se estabeleceu em todos os lugares. Afinal de contas, se não temos terremotos, furacões, tsunamis, vulcões e etc, temos corruptos suficientes para nosso castigo.

Um comentário:

  1. Pasmem...nem os radares estão funcionando por falta de pagamento

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